Ela e Eu em Fogo Brando
Meu olhar esbarra no teu no exato momento em que entro naquela festa que eu jurei que não ia - a mesma que você prometeu que não vinha. É mês de frio, mas todo calor do mundo pareceu se concentrar apenas em mim, enquanto nossos olhos, um no outro, fixos se mantinham.
Saber o que quer e não querer pedir, é orgulho ou faz parte de um jogo do qual eu não estou disposta a jogar. Você se aproxima e pra quebrar o gelo eu solto um "até que enfim", você rebate, rapidamente, com uma resposta que me deixa sem graça. A gente ri e se olha de novo. Penso em perguntar se o mês é agosto ou se estamos no começo de um severo verão. Mas me calo, porque nossos olhos se encontrando confirmam que o clima externo seja o contrário, aquele momento é bruxaria; magia do fogo que cerca um só cenário.
Naquele instante, todo o mundo se concentra em você e eu. Parece que ainda existe tudo; parece que o mundo inteiro deseja que você seja seu e deixe que eu seja eu, como disse Marisa Monte em "beija eu". Como se o mundo tivesse escutado, uma da Marisa começa a tocar no palco. É quando te pego pelos dedos e tiro pra dançar. Toda vez que nossos olhos se esbarram, dizendo sem palavras o que grita o corpo, minha perna começa a bambear - e juro que me esforço pra não tirar a roupa ali mesmo, ainda que eu esteja tirando a sua apenas de te olhar.
Quando a música acaba, você não me deixa sair da valsa, me puxa pra perto e me sinto marear, me deixo levar enquanto meus pensamentos viajam no quente que emana dos nossos corpos, das nossas pernas. Quando concluo que amar uma mulher é uma das únicas coisas que valem a pena, ela de fato me beija com sua boca de hortelã, me sorrindo um sorriso pontual e virando meu mundo da noite até às seis horas da manhã.
Naquela dança até às seis, descobri que amar uma mulher é feitiço — daqueles que não se desfaz nem quando o Sol vem honrar seu compromisso.
Comentários
Postar um comentário