Expectativas Não Salvam Laços

Às vezes, insistimos em manter por perto o que já foi embora. Tentamos reatar conexões pelo desejo, pela memória, pela saudade. Mas nem sempre querer é suficiente. Esse texto é um convite para olhar com mais gentileza para os finais — e perceber que soltar também pode ser um ato de amor.



Não forçar o que deve ser espontâneo. Com certeza você já deve ter lido essa frase em algum lugar. Eu a li e a ouvi tanto, que talvez ela tenha ficado presa em alguma parte do meu cérebro, onde é quase impossível retirar.

Mas cá entre nós, não deveríamos ter que lê-la ou ouvi-la várias vezes para saber que isso é o óbvio. É onde entra uma outra frase que li pichada num muro, que dizia "solte a âncora que te prende ao passado". Talvez o nosso desespero por forçar algo no presente, é por estarmos cegamente atados ao passado. Aquele namoro que foi tão bom um dia, aquela amizade onde vocês eram inseparáveis, aquele familiar que era seu confidente. Talvez, no presente, tudo seja diferente, de outro jeito. E nosso apego, tão envolvido com o que passou, vê no forçar uma maneira de trazer de volta o que parece ter se perdido. Sem sucesso. Porque aquilo que parece perdido, realmente se perdeu. E a melhor forma de lidar com isso, é saindo da situação e observando-a como espectador.

Entendo que assim como não somos mais os mesmos de antes, as pessoas que gostamos um dia, também são outras e as vezes, essa nova versão de nós e do outro, não se gostem e nem se deem bem. E está tudo bem. O que não está nada bem é o fato de ignorarmos o curso natural das coisas e querermos também a todo custo que a vida siga o script escrito por nós.

Querer voltar a uma relação antiga, talvez possa quebrar aquilo que um dia foi bonito, pela sua própria expectativa. Forçar palavras com um amigo que você ama muito, mas que não tem mais nada a ver contigo, pode terminar num silêncio ensurdecedor e desconfortável entre quem geralmente era seu conforto. Querer de todo jeito estar perto e/ou na vida de um familiar que suas ideias nem se encaixam, só por ser família, é desfazer a lembrança bonita que de quando ela era nosso porto.

Tudo tem um preço nesse terrível (e maravilhoso) mundo material. É por isso que se entende que tudo que for, assim como tudo que vier, está dentro do seu padrão natural. Com esse ciclo aceitável e reconfortante, deixamos as coisas exatamente como elas mostram que devem ser e tiramos de nós e do outro a culpa por não "nos pertencermos" mais.

As coisas mudam, as pessoas também. Você muda e eu também. Que nossa expansão de consciência nos traga a real compreensão acerca da liberdade. Somente quebrando os paradigmas, seguimos no caminho da evolução, indo além.

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